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VIAGENS DE ANTONIO MIRANDA PELO BRASIL
BRASIL, UNIÃO DE TODOS?
07-06-1993
Dizem que agora o Brasil vai melhorar. Apesar do Itamar.
Há sinais evidentes de reaquecimento da economia: a produção de automóveis voltou aos recordes históricos da década passada, a indústria paulista voltou a contratar e a diminuir a capacidade ociosa de suas fábricas e o consumo de energia elétrica vem crescendo desde o final do ano passado. Estaríamos saindo do caos em que o Collor deixou o país, com a economia mais ativa, os serviços públicos desestruturados, pisando no acelerador. Só não tem sido melhor por causa das indecisões do novo Governo. Em menos de um ano, em apenas 10 meses, já tivemos quatro ministros da economia! O primeiro — Gustavo Krause veio de Pernambuco e voltou xingando. Nem disse a que veio. O segundo — Eliseu Resende, falava com pão de queijo na boca e jurou que ia continuar a política do sucessor, ou seja, nenhuma. O terceiro, Eliseu Rezende, fez um plano e favoreceu uma empreiteira, de onde tinha pedido licença para o cargo de ministro...
O último é Fernando Henrique Cardoso. Um homem respeitado até pelos adversários. Por sorte, nem é economista, é um cientista social, um político progressista e moderno.
Recuperar o tempo perdido é questão de tempo, muito tempo. No mínimo duas décadas de desenvolvimento sustentado para minimizar a tremenda dívida social de vários séculos.
Só a inflação é que não dá sinais positivos de arrefecimento. Já está beirando os 30 %, o que representa um recorde mundial.
maldizendo a O brasileiro anda mal humorado, reclamando de tudo, sua origem. Na televisão, o que se vê, é pessimismo e críticas ao país, ao governo, a tudo. Ninguém acredita em nada.
Esta semana veio o Primeiro Ministro da China, na esperança de grandes parcerias. Estava eufórico com as nossas potencialidades, nossos recursos naturais, nosso desenvolvimento tecnológico, nosso parque industrial instalado. À saída do encontro, o Presidente Itamar teria dito para uma de seus assessores:
— Viu só? Só os brasileiros não acreditam no Brasil.
Já era tempo de um mínimo de esperança. O Brasil tem tudo para sair do buraco em que se encontra.
Antes a gente acreditava que isso era tarefa do governo. Agora a gente espera tudo da iniciativa privada, se o governo não atrapalhar.
O discurso dos políticos tradicionais envelheceu. O mundo mudou, globalizou-se. O nacionalismo e o estatismo parecem náufragos com o soviético. Até o neoliberalismo começa a ser contestado.
Fernando Henrique Cardoso está também em faz de reciclagem, ajustando o seu discurso aos tempos atuais. Depois passou anos da vida acadêmica, de atuar com inteligência na esfera política, e de uma providencial passagem pelo Ministério das Relações Exteriores, assume o comando de nossa economia.
Não se espera um milagre, mas sim, pelo menos, bom senso, honradez, determinação. Ele tem todas as qualidades pessoais e encarna uma liderança, inspira credibilidade suficiente para tirar o país do marasmo.
Já era hora do governo Itamar dar início ao seu governo.
Ninguém espera milagre, mas só um milagre salva o país de tantas mazelas.
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